"Os empreendedores das startups mais atraentes são mais colaborativos"

Bruno Rondani tem muito mais linhas em seu perfil no LinkedIn do que anos de vida. O presidente do Open Open, fundador e CEO da 100 Open Startups, diretor do Open Innovation Brazil Center, presidente da Open Innovation Week, professor do Institute of Management Foundation e anjo investidor em diversas startups.

Engenheiro eletricista com mestrado e doutorado na área de estratégia de negócios, atuou em diversos conselhos de empresas, ocupou cargos executivos em outros, fundou startups e ainda participou de intercâmbios em universidades americanas e espanholas, além de desenvolver projetos acadêmicos com outras instituições Europeu Ah, e ele teve tempo de ser pai de cinco filhos.

No âmbito da teoria da ciência e estatística, ele desenvolveu seu negócio atual baseado em duas teorias de pesquisadores que ele admira: inovação aberta (criada pelo professor americano Henry Chesbrough, que prega um modelo descentralizado de inovação focado em colaboração e na disseminação do conhecimento, mesmo para agentes externos da empresa) e a efetuação (desenvolvida pelo professor indiano Saras Sarasvathy sobre o método que ensina que qualquer um pode começar começando com o que você tem e convidar outros a participar em um processo de cozimento).

O conceito de inovação aberta aprendido na prática antes, para depois correr atrás da teoria. Foi em sua primeira experiência empreendedora, na empresa Omnisys. Como responsável pela área de engenharia e pesquisa e desenvolvimento, ele começou a interagir com startups e universidades para a produção de tecnologia.

A maneira de fazer o anjo do investimento era quase natural. Mais tarde, ele montou com o amigo da universidade Rafael Levy uma empresa que se tornou consultora, Allagi. Quando ele estava fazendo seu doutorado, estudando sobre padrões de inovação e os desafios que temos no país, ele decidiu começar nessa área.

"No início, era quase um projeto social, um propósito, uma intenção, as pessoas estavam procurando por impacto", diz ele. "A trajetória é interessante, porque as pessoas saem daquela empresa, que é a nossa primeira startup aberta, e criam a ONG para promover a inovação como um valor no ecossistema brasileiro.

Um dos projetos dessa organização, o 100 Open Startups, tão bem-sucedido, elevou seu status não apenas para o seu negócio principal, mas também para o nome da empresa. Foi na sede do 100 Open Startups, um bom sobrinho de um grupo comercial em Villa Leopoldina, a oeste de São Paulo, que ele bateu aquela conversa conosco.

Em 2015, um perfil dele no Projeto Draft apresentou da seguinte forma: "Bruno Rondani tem um desafio: mudar a maneira de empreender e inovar no país". Desafio cumprido?
O que nós colocamos como um desafio foi a questão da importância e importância da colaboração com o processo de inovação. Esse sentimento de ajudar, colaborar com algo que irá beneficiar a si mesmo, aos outros e à sociedade foi uma grande barreira.

As startups não abriram seus projetos com facilidade para interagir com o mercado, por exemplo, porque tinham medo de roubar suas ideias. Hoje é um padrão, não existe mais essa discussão

Você já sabe que os benefícios da exposição e colaboração superam as possíveis desvantagens de um ambiente com falta de confiança. Esta é a grande evolução, a grande mudança

À frente de 100 Open Startups, você cria um ranking com as 100 startups mais atraentes do mercado brasileiro. O que é em comum entre os primeiros colocados?
Criamos um método para procurar startups que têm mais, por assim dizer, capital social no ecossistema, ou seja, mais pessoas que querem apoiar ou querem seu sucesso.

Como parte do método, o objetivo é encontrar projetos que muitas pessoas querem fazer, o que muitas pessoas entendem como um desafio de inovação. Evoluindo no programa os que mais chamam a atenção e são definidos como Top 100 aqueles que mais fecham contratos e alianças com o mercado corporativo. E o principal resultado, sem dúvida, é que conseguimos demonstrar com dados que aqueles que recebem mais suporte têm melhor desempenho.

Não é suficiente para a startup ter uma boa ideia, é isso?
Há um mito em relação à ideia, uma supervalorização dela. Há alguns anos, já se argumenta que, além da boa ideia, é necessária uma boa execução. Esta é a visão da gestão, que é válida.

Recentemente, a questão do momento foi reforçada, de estar no momento certo. E o que nós adicionamos é recurso. Já se falava em financiamento e na capacidade das startups de levantar capital financeiro para seus projetos. Estendemos o conceito de recursos para o capital social das startups. Isto é, quão abertos os líderes de mercado são para os novos participantes.

E o que vimos recentemente? Grandes empresas líderes transformando-se em uma plataforma de inovação, abrindo espaço e mercado para novos participantes de maneira massiva como parte de sua estratégia

Essa é a grande mudança do cenário de inovação que tem causado um impacto recente maior para startups

E quais são as características das pessoas por trás das startups mais atraentes para o mercado?
Além de tudo o que se orgulha no bom empreendedor, aquelas habilidades ou habilidades que já são bem definidas na literatura, como resiliência, flexibilidade, aprendizado rápido, ousadia, grande pensamento, adicionamos a capacidade de colaborar hoje.

Percebemos que os empreendedores mais colaborativos se destacam, aqueles que apoiam até mesmo outros empreendedores e que muitas vezes estão abertos a trabalhar mesmo com aqueles que se vêem apenas como concorrentes.

Os empresários mais preparados entendem que existem concorrentes é bom para a criação de um novo mercado

Se pegamos os dez melhores empreendedores do nosso programa há cinco anos, quando ainda se chama Desafío Brasil, e os dez primeiros colocados no ranking 100 Open Startups, o que muda fundamentalmente no perfil dos empreendedores é a colaboração, quando estão dispostos e capazes de cooperar.

Você também faz uma classificação das 50 empresas mais abertas. O que eles têm em comum?
Criamos o conceito de Open Corps na plataforma. Nesse sentido, trata-se de destacar as grandes empresas mais abertas e preparadas para o relacionamento com o ecossistema de inovação.

Em uma primeira fase de inovação aberta, as grandes empresas deixaram de se concentrar em sua capacidade de gerar inovação a partir de investimentos internos e abriram o processo de inovação em sua função de pesquisa e desenvolvimento.

Atualmente, o Open Corps serve como uma plataforma de modelo de negócios para startups, disponibilizando para o ecossistema ativos antes impensáveis ​​para uma grande empresa abrir para terceiros

As startups são os Street Fighters dos modelos de negócios: têm menos legado, mais flexibilidade e, talvez, mais energia e dedicação para experimentar novos modelos de negócios. Depois fomos procurar as grandes empresas mais amigáveis ​​às ideias que vêm de fora.

Isso é medido por suporte efetivo, contrato ou investimento em novos entrantes. O ranking é baseado no compromisso, colaboração, contratação e investimento que essas empresas fazem com startups.

São sete unicórnios, as empresas avaliadas em um bilhão de dólares, no Brasil. Vamos continuar produzindo outros?
Hoje é fácil perceber que, mesmo devido ao volume de investimentos, devido à atração de grandes fundos que começam a olhar para o Brasil. No início, havia um fenômeno de microinvestimento, pequenos cheques para muitas pessoas. Isso, de certo modo, amadureceu.

Agora, há o fenômeno dos supercheques, acima de 50 milhões de dólares, chegando a 100 milhões de dólares.

Se fizermos três unicórnios por ano nos últimos dois anos, a partir dos próximos dois ou três anos, produziremos 10 a 15 unicórnios por ano.

Na fila de quase unicórnios tem pelo menos cerca de 30, 40 candidatos. As pessoas viram esse fenômeno em todo o mundo. O Brasil está no radar, passando pelo mesmo processo. O resultado também será semelhante. E isso não está mais jogando para ser a Mãe Dinah.

Unicórnios são fenômenos globais. Se tivermos iFood como a entrega do unicórnio brasileiro, temos Rappi, Deliveroo, Zomato, Justit, Doordash e outros unicórnios similares de outros países. Se tivéssemos EasyTaxi e 99, no mundo havia Uber, Lift, Cabify, Ola, entre outros.

Ou seja, na área onde existe um unicórnio global, há uma clara possibilidade de ter um empresário brasileiro criando o unicórnio nacional.

O Brasil entrou tarde na onda de unicórnios. Quais são as conseqüências disso?
A Argentina produziu alguns unicórnios antes do Brasil, por exemplo. Ainda temos poucos unicórnios e pouco investimento em capital de capital ou capital empreendedor em geral, investimento anjo e fundos de base monetária para o potencial de mercado.

O cenário está começando a se equilibrar agora com a entrada de grandes fundos e um movimento de vários setores e as próprias grandes empresas também estruturando áreas de investimento para startups.

O problema com o atraso é que ainda não temos nosso unicórnio comprando os jogadores por aí. Isso é o que você quer começar a ver agora.

Acho que mostramos que já temos empresários e fundos capazes de começar a pensar nisso. E esse é um dos movimentos que estamos fazendo com as 100 Open Startups: posicionando-nos em outros países. Não só para levar para casa, mas também para aumentar a conectividade do nosso ecossistema.

O brasileiro tem um país continental do assunto, que está sempre pensando na expansão do país, a língua portuguesa, de um estado para outro, e, portanto, começa a pensar menos em todo o mundo.

Aqui no Brasil houve um boom de startups em algumas áreas, como serviços financeiros, educação e saúde. São estes os mais promissores?
Claro. Há um enorme espaço para inovação, não apenas de base científica, tecnologias disruptivas, mas no que tem sido chamado de transformação digital nas indústrias do país, que têm grandes líderes, foram fundadas há décadas – há até mesmo a presença de empresas centenárias. .

O que é engraçado ver é que existe uma coexistência entre as áreas que vão se renovar digitalmente e aquelas que serão completamente alteradas, o que romperá com os modelos atuais. Aqueles que você citou, fintechs, educação e saúde, apesar do enorme legado de bancos, escolas e universidades ou hospitais, têm o potencial de perturbar a indústria como um todo. O mais quente está bem ali. Tem uma área que eu também colocaria em conjunto que é a industrial.

A indústria está passando por uma revolução, a 4.0. Está abrindo espaço para a entrada de startups com tecnologias digitais ou que possam ter um grande impacto

Isso mudará os meios de produção, a maneira de produzir, mas não é uma revolução na própria indústria ou no produto dessa indústria. Mas é uma tendência que as pessoas estão vendo extremamente relevante também.

Qual é o erro mais comum que você vê empresários cometem em empresas nascentes?
Empreendedores amadurecem muito, têm treinamento, treinamento e melhores referências. Mas acho que o erro do empresário brasileiro, que me deixa ainda muito preocupado, é a crença de que "uma realidade aqui não é" e, portanto, aceita qualquer oferta de investimento.

Ou seja, se lá as pessoas falam de bolhas, aqui no Brasil ainda vivemos a teoria da escassez

As pessoas minimizam todos os números. Tem uma estrela brasileira que, em uma primeira rodada de investimentos, vende 30% ou 40% da empresa. Então, no segundo, você não precisa mais vender e vender outros 20%. O empreendedor se torna uma minoria e a empresa simplesmente não pode continuar seu processo de crescimento se for uma startup de alto potencial que demanda investimento e capital para atingir seu potencial

O que vejo é uma diluição muito grande de startups. Isso torna mais difícil convencer os investidores. E lá eles, os aceleradores, os anjos e até os fundos, colocam menos dinheiro e querem morder mais. Nesse ponto, estamos trabalhando agora. É por isso que também criamos 100 Open Angels para tentar ajudar a resolver esse problema.

Como?
As startups acabam sendo vendidas muito antes da hora, não percebem que seus potenciais e bons projetos acabam morrendo na praia devido à má estruturação financeira. Então, quem aplica o capital de risco, que são fundos e anjos, fala: "Existem empregadores dos EUA e nossos empregadores". Se aqui é mais difícil empreender, eles devem jogar mais dinheiro, não menos.

As pessoas têm que parar com essa cultura que no Brasil é difícil de realizar. O cara aplica 500 mil reais para morder 30% de sua empresa. Mas 500 mil reais são 125 mil dólares. Com esse volume, ele carrega no máximo 7% de uma estrela americana

Temos o complexo vira-lata, portanto, nesse ramo também?
Eu não gosto de usar esse termo, mas acaba sendo assim. "O Brasil é um mercado menor". Menos o que? Menos que o Vale do Silício? Se você está olhando para o mercado global, você não é menor.

Algumas pessoas pensam que, se é o líder aqui, na nossa "pequena realidade", alguém o adquire. Bem, se você olhar para a parede, você não vai acertar a estrela. Se começarmos a olhar para as estrelas, teremos melhores negócios. Temos que sonhar mais alto, temos que usar referências internacionais.

Você pode imaginar isso para um médico? "Olha, eu poderia fazer uma operação usando esse método, o que é bom, mas essa é uma realidade americana, vou cortar você de qualquer maneira.

Mas como 100 Open Angels visam lutar contra isso?
Muitos anjos se envolvem com startups de algumas estruturas, redes de anjos, grupos de amigos, etc. Mas são criados alguns modelos de silos e padrões que não falam com as melhores práticas.

Queremos que esses grupos coincidam mais uns com os outros. E pelo processo de coinvesting pretendo encaixar rodadas maiores, ter mais pessoas apostando, acreditando, convergindo para esse grupo de startups.

Usando parte do nosso método, que as pessoas chamam de gerenciamento do ecossistema, é possível, de fato, gerar esse efeito que chamamos de dinheiro inteligente.

As redes de anjos e investidores vêm para colaborar de forma mais estruturada, colocando sua potencial contribuição e conexões para ter a startup – sem maldições como trazer muita informação, extrair demais do empreendedor ou sobrecarregá-lo com uma exposição eventualmente ineficaz, porque isso ser moderado pela própria rede.

O empreendedor hoje ainda é muito dependente do investidor ou dos canais e do relacionamento do investidor. Queremos capacitar o empreendedor nesse sentido, para o benefício de todo o ecossistema.

E como você reconheceu em si mesmo essa veia empreendedora?
Meu pai realmente aprecia a educação. Formado no ITA [Instituto Tecnológico de Aeronáutica], foi trabalhar com desenvolvimento de tecnologia. Ele trabalhou na Elebra, empresa que instalou todos os principais sistemas de radar dos aeroportos brasileiros.

Minha mãe vem de uma família de empresários do setor têxtil. Então, por um lado, tinha esse viés da tecnologia, do impacto e do outro, da empresa. Bettina pendente [Rudolph, que virou meme após estrelar uma propaganda de uma consultoria de investimentos dizendo que tem 22 anos e 1 milhão e 42 mil reais de patrimônio acumulado] diz que ele ganhou as ações de seu pai. Eu ganhei um CNPJ do meu pai.

Meu pai falou: "Você quer começar? Seu CNPJ está lá, e ele rompeu com isso o mito da ideia: eu não esperava ter uma ideia para começar, ganhei uma despesa para pagar mensalmente, então tive que mudar

A questão é: que tipo de empreendedor poderia ser? Como eu poderia usar o que eu sei, o que eu tenho disponível para uma empresa? E é daí que vem a minha carreira empreendedora.

Que conquista das 100 Startups Abertas que mais te enchem de orgulho?
As pessoas sempre falam sobre números, falam sobre investidores, chamam a atenção para uma grande empresa ou uma startup de sucesso que participa do programa. Mas minha resposta tem um viés acadêmico.

O que me deixou mais orgulhoso de tudo foi um convite do professor Saras Sarasvathy [criadora da teoria effectuation] para apresentar as 100 Open Startups como um caso da conferência de efetivação global da Universidade da Virgínia há dois anos. Para mostrar que a coisa era legal, eles pagaram meu ingresso.

O evento foi um ambiente extremamente acadêmico, para um grupo super pequeno de cerca de 50 pessoas que lideram os cursos de empreendedorismo em universidades de todo o mundo. Eles consideraram meu trabalho relevante usando a efetuação como um processo de transformação do ecossistema.

Para mim, esse foi o momento mais alto. Tem outros semelhantes a isso, como quando fui chamado para ensinar, apresentando nosso método em um MBA, na Universidade de Pittsburgh.

Uma das premissas da cultura da inovação é não ter medo de errar. Qual é o seu erro mais memorável?
Sacanaje essa pergunta [risos]. Dê uma pausa lá que eu vou ter que pensar [ele para e pensa]. Eu acho que escutei pouco a minha avó sobre sabedoria, incluindo como lidar com situações, pessoas.

No começo, mesmo para o perfil científico muito analítico, racional, você acaba sendo muito frio também. Para mim, que depois de ter conversado com a minha avó depois de algumas crises, eu disse: "Pô, eu deveria ter falado com ela antes".

Acho que o maior erro é não ter consultado minha avó durante minha jornada empreendedora, tendo parado de perguntar certas coisas. Ela também era empreendedora, mas é mais pela sabedoria da própria vida.